SELO: Hipocrisia à vista chama abstenção na segunda volta em Nampula - Por Filipe Mapilele
Vozes - @Hora da Verdade
Escrito por Redação  
Terça, 13 Março 2018 07:25
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Enquanto a capital nortenha de Nampula se preparava para a realização das intercalares em 1ª volta, fiz um breve comentário sobre que cenários se devia esperar, tal que mereceu apreciação e publicação do jornal @Verdade. Desta vez, enquanto corre a campanha para a 2ª volta, não pretendo fazer um longo comentário como o primeiro, que inclusive teve fundamentos teórico-espistemológicos, pretendo apenas fazer reparo a dois aspectos, de uma forma muito sumária, procurando chamar atenção dos candidatos e dos eleitores da Cidade de Nampula.

O meu reparo cinge-se em dois aspectos, que na verdade podem ser o mesmo, mas que prefiro dividi-lo, que são: 1) práticas que consubstanciam a hipocrisia, e 2) erros de discurso ou falsas promessas. Estes dois aspectos, em minha opinião, podem vir a ditar mais uma vez as abstenções em Nampula na 2ª volta, o que pode ser mau.

Sobre práticas que consubstanciam a hipocrisia

Acompanho muito atento através dos órgãos de comunicação social e em conversas com amigos, cidadãos atentos residentes em Nampula, o diário da campanha eleitoral, onde os senhores Amisse Cololo – da Frelimo, e Paulo Vahanle – da Renamo, conquistam o eleitorado para votar em si na 2ª volta das intercalares, e algumas práticas me colocam a questionar o impacto de algumas das suas atitudes, que me parecem mais hipócritas, e que podem ter efeitos directos no dia da votação.

Fique claro para os senhores candidatos que o povo moçambicano, sobretudo o que reside nas zonas urbanas, tem informação em altura e um grau de formação suficiente para fazer julgamento de qualquer que seja o acto, e acima de tudo os actos praticados pelos políticos, pois a confiança com os mesmos já se esgota, cada vez que há promessas descumpridas. Não se pode praticar actos na consciência de que serão para o agrado do povo: este, presta toda atenção aos actos dos políticos, e faz julgamentos em tempo útil.

Em tempo de campanha eleitoral, tudo se faz para agradar o povo. Mas o que me parece menos se fazendo, e que é o fundamental a fazer, é questionar sobre o que vai agradar o povo? Alguns actos praticados nesta campanha me parecem ser mais actos patéticos, dignos de cenas em teatros, do que actos de campanha como tal. Fiquei assustado e saltei em gargalhadas, quando um dos candidatos, em um dos seus primeiros dias de campanha, visitou uma família para pedir voto, e no lugar de apresentar sumariamente o seu manifesto eleitoral, pôs-se a pilar (não vi se era milho, mandioca, ou amendoin), pois a dona da casa encontrava-se em tal actividade. Isto só pode ser mesmo uma hipocrisia de humildade e não tem nada a ver com a campanha eleitoral.

Outro dado interessante a questionar é se as igrejas também são palcos de comícios de campanha, pois no domingo ambos os candidatos foram às igrejas se apresentarem como candidatos. Digo, apresentarem-se como candidatos a edil de Nampula: justamente porque ficamos confusos em qual seria a confissão religiosa de um que já foi a mais de uma igreja. E sobre isto, ter que acreditar que se converta para outra igreja, é-me conflituoso, pelo que deve ser mesmo problema de rezas para bênção na candidatura.

Erros de discursos ou falsas promessas

A palavra é o instrumento de retórica muito importante para fazer alinhar adeptos em seu clube. E isto é o que deve ser a campanha eleitoral, mas se os manifestos eleitorais continuarem sendo os mesmos, a falarem sobre o lixo, penso que podiam ser dispensados, e passarmos a votar em função de apreciação da beleza de um candidato em relação ao outro. Ou seja, que os candidatos passem a dizer nas campanhas “vote em mim porque sou o mais bonito que o meu adversário”.

Digo isto porque, nasci e cresci em um bairro da periferia em um município, e como tem sido comum em todas as autarquias do país, nos bairros periféricos, paga-se a taxa do lixo, mas não adianta ficar à espera do município para remover o lixo. As famílias já estão bem orientadas que é preciso que cada quintal tenha a sua cova de lixo, lançado de forma classificada, de tal modo que no futuro sirva a mesma cova de lugar para plantar uma árvore de fruta e sombra. Digo, os municípios não têm prática de remover lixo nos bairros periféricos, pelo que não precisam os candidatos gastar tinta para imprimir folhetos, voz e ar para gritar promessas de remover lixo, que à partida sabemos se tratar de falsidade.

É preciso que os candidatos apresentem manifestos eleitorais que respondam aos problemas das populações, como água canalizada, energia eléctrica e iluminação das ruas, cobranças de taxas nos mercados – o que pouco se fala por julgarem que vai afugentar o eleitorado, porém ignoram a pergunta onde trarão dinheiro para implementar estes programas em promessas?

Concluindo

Um pensamento muito breve como se anunciou desde o princípio: a ideia é que os candidatos devem na sua forma de estar e ser em campanha eleitoral, chamar o eleitorado a sufragar pelo seu edil, apresentando manifestos eleitorais claros, desafiadores, encorajadores e lógicos, no sentido de que, o tempo existente para implementar os programas (considerando o saldo até ao fim do mandato com a posse do edil a ser sufragado a 10 de Outubro de 2018), seja suficiente para tal. Igualmente é preciso eliminar algumas práticas teatrais que são meros actos de hipocrisia, desviantes do foco da campanha, e pugnar por um trabalho sério.

Quem ganhará? Essa pergunta sei que os meus amigos esperam que responda, mas digo: é algo a ver-se. Quem está em vantagem? Esta sim, posso comentar! A Renamo me parece ser a mais favorita em Nampula, pela fatiga que o povo já tem com o clube dos vermelhos, em primeiro lugar. Em segundo lugar é preciso considerar os resultados das gerais de 2014 e a primeira volta de 2018, que tendem a legitimar a Renamo em Nampula.

Quanto ao apoio do MDM à Renamo anunciado e orientando aos seus membros e simpatizantes, em sinceridade julgo um acto desnecessário, e que o silêncio teria sido mais eloquente. Afinal, já se sabe à partida a génese do MDM (que vem da Renamo), que como o “Filho Bom”, tenderia a voltar à casa. Mas o mais importante a sublinhar nisto, é a solidariedade entre os partidos da oposição, e já se espera que os opositores em Nampula votarão pela Renamo, o elitorado da Frelimo vai faltar às urnas (não tem muita cede de votar como os outros), e possivelmente Vahanle pode começar a dirigir os destinos do desenvolvimento do município de Nampula.

Indo de harmonia com a reflexão acima colocada, a forma como se apresenta e discursa o candidato da Renamo, pode lhe conferir maior identificação com o povo de Nampula, com o seu discurso tendente a distanciar-se das utopias, e lhe conferir mais votos. Para todos efeitos, ganhe o melhor.

Por Filipe Mapilele

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