SELO: Carta aberta ao comandante provincial da Polícia da República de Moçambique em Nampula - Por Raúl Barata
Vozes - @Hora da Verdade
Escrito por Redação  
Terça, 06 Novembro 2018 08:28
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Senhor comandante, não irei saúda-lo, elevá-lo ou bajulá-lo pela maneira como está a dirigir as forças de protecção e segurança públicas ao nível da província de Nampula. Muito pelo contrário, escrevo esta carta com o simples intuito de exprimir, com desgosto, os meus sentimentos pela forma pouco eficiente e pouco sábia de dirigir a corporação que lidera. Aliás, senhor comandante, geralmente, a carta aberta é um veículo de comunicação nu e cru que serve para expor as mais verdades podres e humilhações. Por isso, não espere que venha apreciá-lo neste punhado de frases.

Eu, nós os cidadãos da província de Nampula, em particular da cidade de Nampula, o maior centro urbano da província e da zona norte, andamos desgastados, e com o “saco cheio” por culpa da onda de criminalidade que vem assolando esta província. Estamos sim furiosos com os criminosos, mas ainda mais com os nervos à flor da pele por causa da Polícia que pouco ou nada faz para nos proteger desses malfeitores. é a sua função como Polícia aplicar a lei, proteger e servir.

Enquanto a onda de crimes aumenta a cada dia que passa, o senhor comandante mantém-se inerte e sereno como se nada estivesse a acontecer. É motivo para questionar a sua competência e capacidade de liderança.

Nem sequer tem a coragem para dar a cara e falar com os cidadãos sobre o trabalho que está a ser desenvolvido para mitigar os crimes, como é suposto um líder como o senhor comandante fazer, sempre que necessário, e razões há, mais do que necessárias, para o senhor sair da sua zona de conforto e falar.

Nos últimos meses, a população da cidade de Nampula vem se lamentando pela pouca presença da Polícia nos bairros suburbanos da capital nortenha onde se registam crimes hediondos que criam tristeza e luto no seio das famílias.

Senhor comandante, há poucos meses, ainda na memória dos citadinos de Nampula, foi morta uma jovem professora na zona de 22 de Agosto, numa área onde frequentemente vem se encontrado cadáveres de pessoas supostamente assassinadas.

Ainda no passado mês de Outubro, foi assassinado e atirado a um poço uma jovem no bairro de Murrapaniua. Muito mais recente ainda, mais uma jovem senhora foi morta na sua própria residência, sem mencionar tantos outros crimes como estupros, violações e agressões físicas nos vários bairros desta urbe como Muhala-Expansão, Muahivire, Muatala ou Namutequeliua.

Ficamos nós, os cidadãos, sem saber se os responsáveis por estes crimes irão ser detidos e punidos pelas suas acções. Somente recebemos informações do seu porta-voz que dão conta que estão a trabalhar no sentido de resolver os casos e neutralizar os culpados, como é hábito da nossa Polícia “trabalhar no sentido de resolver”.

Vivemos em constante incerteza sobre a nossa segurança e integridade físicas.

Senhor comandante, lidere a sua corporação! Pelo menos finja mostrar interesse em solucionar os problemas do povo e mostre-nos a sua cara. Que tipo de sociedade o senhor comandante pretende? Pretende uma sociedade criminosa onde os malfeitores saem impunes? Onde a população vive atormentada e perde o sono mesmo dentro de quatro paredes das suas humildes casas?

Senhor comandante, qual legado pretende deixar? Um legado manchado de não realizações e acções inconclusas? Pretende deixar uma imagem de liderança fracassada, onde a ordem e tranquilidade públicas em Nampula foram sempre colocadas em causa? Pretende deixar o nome sujo de um comandante cuja passagem pela província destacou-se pelo aumento de crimes e desordem? Pois já está nesse caminho. E perceba também, senhor comandante, que a posição que ocupa agora é de um cargo e não uma profissão, sendo que, a qualquer momento pode mudar e era bom que mudasse impactando positivamente.

Senhor comandante, os criminosos que continuam à monte e impunes devem estar a rir-se de si, da sua má administração e gestão e igualmente da incompetência dos seus subordinados que aprumados na farda cinzenta e com a arma em punho somente sabem extorquir pequenos valores monetários aos nossos irmãos esfarrapados e descalços que saem algures de Namaita, Anchilo ou Rapale para vender carvão vegetal doméstico na cidade de Nampula.

Senhor comandante, lidere a sua corporação! Governe! Resolva os problemas que afligem os cidadãos de Nampula e que somente o senhor pode resolver. Os cidadãos aguardam ansiosamente por respostas claras no combate ao crime. Eu, em particular, cidadão de Nampula, espero retomar com uma nova carta a enaltecer os feitos positivos da PRM nesta província. Cordiais Saudações!

Por Raúl Barata

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