SELO: Uma breve abordagem sobre Educação Alimentar, por Basílio Macaringue
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Escrito por Redação  
Quarta, 19 Junho 2019 00:57
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Em Moçambique, segundo dados oficiais, uma criança em cada sete morre no primeiro ano de vida e uma criança em cada cinco morre antes de atingir os cinco anos. Não obstante, a OMS identificou a ocorrência de mortes materno-infantil como um dos problemas mais graves do século XXI no que diz respeito à saúde pública, que afecta diversos países, mas se verifica mais acentuadamente em países em via de desenvolvimento.

Além disso, as deficiências em micronutrientes têm consequências inaceitáveis também sobre a sobrevivência das mulheres, principalmente nos países em via de desenvolvimento, tal como é o caso de moçambicanas. Moçambique tem uma das taxas de mortalidade materna mais elevadas do mundo. Estima-se, no entanto, que nos próximos cinco anos mais de 43.000 mulheres morrerão por causas relacionadas com a gravidez. Uma das principais causas desta elevada mortalidade é a anemia.

Não obstante, desnutrição é uma das doenças que mais causa mortes no mundo. Segundo a UNICEF (1994) é um problema chocante, tanto em escala quanto em gravidade, um cúmplice secreto da pobreza que impede o crescimento físico e mental de uma em cada três crianças nos países em via de desenvolvimento. Estima-se que em Moçambique, assim como no resto da África sub-sahariana, a anemia é a causa subjacente de 20% das mortes maternas. A desnutrição a nível de população, enquanto produto de pobreza e deprivação, só pode ser eliminada a longo prazo, através de uma acção política adequada para a redução das inequalidades socio-económicas.

A atenção primária à saúde, como internacionalmente definida em Alma-Ata, é a essência de estratégias do sector de saúde para a promoção da nutrição adequada. A OMS tem chamado atenção para o facto de que, devido a sua natureza multicausal, a desnutrição é frequentemente preocupação de muitos, mas a sua solução tem sido responsabilidade de poucos.

A educação alimentar é vista como um campo de conhecimento e de práctica contínua, permanente, transdisciplinar e multissectorial que visa promover a práctica autónoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis. Seu objetivo é contribuir para a realização do direito humano à alimentação adequada e garantia de segurança alimentar e nutricional.

No entanto, o ser humano precisa de uma boa alimentação diária para conseguir manter a disposição e o foco em todas as suas actividades realizadas em sua rotina, garantindo melhorias em sua qualidade de vida e prevenindo doenças. Acredita-se, nesse caso, que com a ajuda dos alimentos certos o ser humano se torna capaz de potencializar suas habilidades e realizar qualquer tipo de função com maior flexibilidade, garantindo a melhoria do rendimento diário e maior nível de atenção em determinados assuntos. Assim, a necessidade de controlar os hábitos alimentares constitui um assunto de maior preocupação na actualidade e está fundamentalmente associada às políticas públicas e aos programas de saúde, que buscam adequar e melhorar o estado de saúde da população, incluindo a prática de actividades físicas.

Nesse contexto, a promoçã da educação alimentar contribui para a proteção e promoção da saúde através de uma alimentação adequada e saudável, determinando um crescimento e desenvolvimento do ser humano conforme as políticas em alimentação e nutrição, contribuindo de maneira significativa no controlo da prevalência de doenças crónico-digestivas.

Alimentação é vista como o acto de alimentar-se. Trata-se, portanto, de um acto consciente e depende de cada um. Já os alimentos são as substâncias introduzidas no organismo visando promover o crescimento, a reparação dos tecidos, a produção de energia e o equilíbrio das diversas funções orgânicas. Estes são de origem animal, vegetal e mineral. São classificados de acordo com suas propriedades físicas e químicas e sobre sua forma como actuam no nosso organismo.

Nesse contexto, importa sublinhar que a alimentação tem suas leis, nomeadamente:

Da quantidade - segundo a qual a quantidade de alimentos deve ser suficiente para cobrir as exigências energéticas do organismo e manter em equilíbrio o seu balanço. Nesse caso, as calorias ingeridas através dos alimentos devem ser suficientes para permitir o cumprimento das actividades de uma pessoa, bem como a manutenção da temperatura corporal. As diferentes actividades realizadas, também, determinam as diferentes exigências calóricas;

Da qualidade - a que estabelece que a composição do cardápio alimentar deve ser completo para fornecer ao organismo uma unidade indivisível de todas as substâncias que o integram. O cardápio completo inclui todos os nutrientes que devem ser ingeridos diariamente, quer sejam de origem animal, vegetal ou mineral;

Da harmonia – segundo esta lei, as quantidades dos diversos nutrientes que integram a alimentação devem guardar uma relação de proporção entre si.

Da adequação – no refernete a este aspecto, importa salientar, primeiro, que a finalidade da alimentação está subordinada à sua adequação ao organismo. Nesse contexto, a adequação em questão está subordinada ao momento biológico da vida e, além disso, deve adequar-se aos hábitos individuais, à condição sócioeconómico da pessoa e em relação ao seu sistema digestivo e aos órgãos ou sistemas alterados por alguma enfermidade.

De forma geral, a educação alimentar desempenha um papel importante em relação ao processo de transformação e evolução, à recuperação e promoção de hábitos alimentares saudáveis, podendo proporcionar conhecimentos necessários à tomada de decisão de formar atitudes, políticas alimentares saudáveis e variados, etc.

Para concluir, importa destacar que para se alimentar de forma a nutrir o organismo, sem prejudicá-lo, é preciso observar as leis da alimentação supracitadas. Com base nelas cada vez mais pode se tomar uma consciência sobre os habitos alimentares saudáveis. Assim, um alimento é nutritivo quando colabora ou sustenta os processos de manutenção da vida, e o alimento bom pode se tornar perigoso quando ingerido em excesso ou em condições inapropriadas.

Por Basílio Macaringue

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