SELO: Uma breve abordagem sobre Educação Alimentar II - Por Basílio Macaringue
Vozes - @Hora da Verdade
Escrito por Redação  
Terça, 06 Agosto 2019 07:59
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Conforme foi visto no capítulo anterior, a educação alimentar é vista como um campo de conhecimento e de práctica contínua, permanente, transdisciplinar e multissectorial que visa promover a práctica autónoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis. Seu objectivo é contribuir para a realização do direito humano à alimentação adequada e garantia de segurança alimentar e nutricional.

No presente capítulo vai se abordar em torno da conservação de recursos genéticos vegetais, o que contribui significativamente no combate a fome, redução do índice de proliferação de doenças transmitidas por vectores como ratos, baratas, lagartos, etc., insegurança alimentar e pobreza absoluta.

De acordo com os escritos científicos, o termo recursos genéticos implica que o material tem ou pode ter valor económico ou utilitário (para a geração presente ou futura), o que contribui para a segurança alimentar. Desta feita, tais recuros possuem grande interesse na actualidade, pois relacionam-se com a satisfação de necessidades básicas do Homem e com a solução dos mais graves problemas sociais: fome e pobpreza absoluta- os vilões da insegurança alimentar.

Conforme apontam os dados oficiais, mais do que a metade da população moçambicana depende da práctica da agricultora de subsistência e da pecuária para garantir a sobrevivência e o crescimento familiar, ate mesmo do país como um todo. Nesse contexto, embora a sua práctica em muitas regiões ainda seja rudimentar, ela constitui a fonte principal de rendimento familiar, contribuindo grandemente na redução do índice de procura de produtos alimentares vindo de países vizinhos, o que impulsiona o crescimento socioeconómico do pais, devido ao consumo do produto internamente produzido.

Em contrapartida, os estudos apontam que o armazenamento de sementes ainda constitui uma fase crítica de segurança alimentar e nutricional, estimando-se perdas que se aproximam à ordem dos 30% devido a ratos, insectos e fungos.

Entre as várias causas de insegurança alimentar estão em destaque: o consumo por insectos, roedores, aves e outras espécies; as reacções indesejáveis entre os componentes contidos nos alimentos; a ocorrência de derramamentos, desgastes, quebras, descasque de sementes, furos nos recipientes de armazenamento; insuficiência de calor ou frio que determinam as condições peculiares de conservação; ocorrência de germinação, envelhecimento ou mudanças causadas pela respiração e transpiração das sementes; a recusa de consumir um alimento por razões de crença sociais e/ou religiosas.

Os produtos podem ser conservados quer nos seus habitats naturais, em diferentes condições às do seu habitat natural, ou mesmo combinando os dois métodos. A conservação, nesse caso nas condições diferentes do ambiente natural, é realizada em bancos que se estabelecem para cumprir os objectivos de investigação e serve para proteger espécies silvestres, formas regressivas e espécies cultivadas. Por conta disso, a conservação de sementes pode ser realizada em três formas distintas, nomeadamente: acondicionamento, embalagem e conservação das amostras em câmaras com ambiente controlado. O acondicionamento tem como objectivo produzir uma atmosfera limpa e com teor de humidade que garante a sua longevidade em conservação, incluindo a limpeza física e a dissecação (redução do teor de humidade das sementes a um nível mínimo de actividade metabólica, sem que percam a sua viabilidade).

Uma embalagem é um recipiente que armazena produtos temporariamente e que serve principalmente para agrupar unidades de um produto, com objectivo de criar melhores condições para distribuição, transporte e armazenagem. Outras funções da embalagem são: proteger o conteúdo, informar sobre as condições de manipulação, exibindo requisitos legais como composição, ingredientes, etc. e fazer promoção do produto através de gráficos. Quanto à tipologia, a embalagem pode ser classificada de três maneiras: embalagem de venda ou primária (envoltório ou recipiente que se encontra em contacto directo com os produtos. Ex: frasco ou blister de remédio); embalagem agrupada ou secundária (destinada a conter a embalagem primária ou as embalagens primárias. Ex: caixinha de remédio que contém o pote de remédio); e embalagem de transporte ou terciária (utilizada para o transporte, protecção e que facilita a armazenagem dos produtos, Ex: pallet, cantoneiras de protecção em fibra de madeira, papel, papelão ou plástico).

O processo de embalagem consiste na colocação duma quantia de semente contada ou pesada num recipiente que depois é selado hermeticamente e pronto para ser armazenado. Este processo tem como finalidade prevenir a absorção de água da atmosfera depois de secas e para evitar a contaminação por insectos e doenças. Pode ser realizada em latas, garrafas, recipientes de barro e silos (sendo todos hermeticamente selados).

Nesse contexto, a conservação no campo recomenda-se em espécies perenes, silvestres, semi-domésticas, de reprodução vegetativa ou com sementes de vida curta ou sensíveis à dissecação.

Por conta disso, o processo de embalagem de sementes deve obedecer seguintes passos: expor as sementes a uma humidade ambiente por um período mais curto possível; escrever fora de cada embalagem ou numa etiqueta de adesivo à prova de água (anotar o numero de registo, a data de embalagem e a espécie, se for possível). Isto vai permitir que a semente chegue à época de sementeira com boa qualidade (alta capacidade de germinação e vigor).

Importa referir, nesse caso, que a capacidade de armazenamento de algumas espécies cultivadas é agrupada de acordo com as suas condições de resistência à factores adversos. Assim, esse agrupamento é dividido em três categorias a saber: boa capacidade (aquela que envolve a conservação de sementes de arroz, milho, trigo, mapira); media capacidade (a que envolve a conservação de feijão manteiga e nhemba e girassol); e má capacidade (envolvendo a conservação de amendóim e soja).

Importa sublinhar que chamamos de semente não só ao produto usado para o plantio de uma nova planta ou espécie, mas também ao produto usado para o consumo, quer seja nas suas condições naturais como depois de processado, elaborado ou preparado.

Alguns princípios gerais de um bom embalamento incluem: a necessidade de a semente estar suficientemente seca; as sementes estar limpas e sem danificações para que possam resistir o armazenamento a longo prazo. Caso contrário elas podem permitir a entrada de ar, o que permite o desenvolvimento de fungos; as sementes serem armazenadas dentro dos limites de temperatura aceitável, isto é, o mais baixo possível e protegidas das oscilações da temperatura externa; a semente deve estar protegida de insectos e roedores; as sementes serem armazenadas de forma separada, isto é, as velhas devem estar separadas das mais novas; e as sementes serem inspeccionadas em cada duas ou três semanas para verificar sinais de danificação por insectos ou fermentação.

Por Basílio Macaringue

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