Toma que te dou: Passou por mim e não disse nada
Escrito por Alexandre Chaúque   
Quinta, 10 Julho 2014 13:11

As temperaturas são muito baixas para quem está habituado a viver debaixo de um estado de tempo que, em média, ronda os trinta graus Celcius. Faz um frio de enregelar e queimar os ossos até à medula. O sol está nas costas das nuvens, escondido, e impossibilitado de irradiar o seu esplendor. Não me parece que vá chover, embora a neblina se recuse a ser amistosa. Sopra uma brisa leve vinda do sul sobre o mar glauco. É maré cheia e toda esta baía que se estende suave torna-se uma almofada para o espírito.

Actualizado em Quinta, 10 Julho 2014 14:23
 
Toma que te dou: pensando no futebol
Escrito por Alexandre Chaúque   
Quinta, 03 Julho 2014 14:30

- O que é que fazes por aqui?

- Porquê?

- Pareces triste!

- Estou a pensar na participação das selecções africanas que actuaram no Brasil.

- Pois é, aquilo foi uma grande frustração.

Actualizado em Quinta, 03 Julho 2014 20:52
 
Toma que te dou: Ainda somos irmãos
Escrito por Alexandre Chaúque   
Quinta, 26 Junho 2014 14:21

Fiquei a saber, depois de ele ter ido embora, que se chamava Solomoni. Falava no palanque como um arauto do próprio Jeová e, quando desceu, deu as costas aos que o escutavam e desapareceu como Jesus fez na sua ascensão, 40 dias depois da ressurreição. Era espectacularmente longilíneo, pernas ligeiramente arqueadas, e a cadência da marcha que imprimia dava a imagem de um homem determinado. Sublimou-se sem olhar para trás uma única vez, perante o espanto dos que, provavelmente, voltarão a vê-lo e ouvi-lo falar como trovão no estrado.

Actualizado em Quinta, 26 Junho 2014 14:50
 
Toma que te dou: Para onde vos dirigis?
Escrito por Alexandre Chaúque   
Quinta, 19 Junho 2014 12:37

Sacudiu a poeira dos tempos da guerra dos 16 anos, que dizimou vidas às centenas de milhares e plantou paredes que ainda se mantêm até hoje por todo o lado, deixando no seu rasto as poeiras de sangue que hoje submergem das estradas e dos sopés das montanhas, e virou-se para a multidão que o escutava no palanque implantado na margem sul do rio Save: “Seus desgraçados, para onde vos dirigis? Acaso não sabeis que há perigo na próximo esquina? Porventura não percebeis que ninguém vos protegerá quando a pólvora se libertar? Quem vos disse que essas armas que vos escoltam servirão para vos salvar? Porque teimais em seguir a vereda da morte no lugar de vos manterdes nas vossas pobres casas, ou levantardes para apanhar os restos do banquete deles? Porquê?”.

Actualizado em Quinta, 19 Junho 2014 18:32
 
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